Evento reuniu oficinas, atividades para crianças, acessibilidade, cultura popular, educação ambiental e artistas da região em uma celebração marcada pela diversidade e pelo fortalecimento das redes comunitárias
O que começou há cinco anos como uma construção coletiva de pessoas ligadas à agroecologia, pesca, cultura, educação e economia solidária, chegou a mais um capítulo de sua história. No dia 16 de agosto, a RAPECCA (Rede de Agroecologia, Pesca e Cultura de Caraguatatuba) realizou o Festival de 5 Anos da RAPECCA, reunindo diferentes gerações, saberes e expressões culturais em um encontro marcado pela diversidade e pela participação comunitária.
Inicialmente previsto para o dia 15 de agosto, o festival precisou ser adiado por conta da chuva e aconteceu no domingo, das 12h às 20h. A mudança de data não impediu que o encontro reunisse o público em uma programação que conectou cultura, educação ambiental, infância, música, acessibilidade e conhecimentos tradicionais.
Cinco anos de construção coletiva
Mais do que celebrar uma data, o festival marcou os cinco anos de atuação da RAPECCA na construção de redes e no fortalecimento de iniciativas ligadas à agroecologia, à pesca, à cultura e à economia comunitária no território.
A celebração também foi uma oportunidade para aproximar diferentes públicos e apresentar práticas e conhecimentos que fazem parte da identidade da rede e das comunidades que a constroem.
Ao longo do evento, o público pôde participar de atividades práticas e conhecer diferentes formas de produzir, criar e compartilhar conhecimentos.
Cultura e educação ambiental para todas as idades
Entre as atrações, a Tenda Brincante recebeu as crianças com diversas atividades, criando um espaço de convivência, criatividade, experimentação e contato com a terra e os elementos naturais.
A programação das oficinas também trouxe conhecimentos relacionados à cultura popular e à sustentabilidade.

Mestre Pedro Caetano, um dos guardiões da cultura caiçara de Caraguatatuba, conduziu uma oficina de construção de instrumentos musicais utilizando materiais recicláveis, mostrando como elementos que seriam descartados podem ganhar novos significados por meio da criatividade e do fazer coletivo. Descendente de uma linhagem tradicional de caiçaras, aprendeu com seu avô a construir instrumentos musicais típicos do litoral paulista, como rabecas e machetes em caixeta, ajudando a manter vivo o Fandango Caiçara.
Já o Mestre Joca, que chegou ao litoral norte há mais de 20 anos, também aprendeu com o avô a manusear e transformar fibras naturais em arte e utensílios. Hoje, a Oficina de Arte Mestre Joca é um Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura por suas criações com a fibra da taboa. No festival, o artista dividiu seus conhecimentos na oficina de porta-lápis de taboa, aproximando o público de uma prática artesanal ligada ao uso de materiais encontrados no território.
Outro destaque foi a oficina de cultivo de abelhas sem ferrão, conduzida por Aurélio Cocenzo, trazendo para o festival conhecimentos sobre essas espécies e sua relação com o equilíbrio ambiental.
As atividades reforçaram uma das características centrais da RAPECCA: aproximar conhecimento, território e comunidade por meio de experiências em rede.
Um festival para todos celebrarem

A acessibilidade não foi uma preocupação e sim planejamento e um eixo, e esteve presente desde a produção da estrutura do festival, buscando garantir que diferentes públicos pudessem participar das atividades.
O espaço contou com mapa tátil, rampas acessíveis, intérprete de Libras e espaço de descompressão, ampliando as possibilidades de participação e convivência durante o evento. A acessibilidade, nesse sentido, não apareceu apenas como uma estrutura complementar, mas como parte da proposta de construir um encontro aberto à diversidade e à participação de todos os públicos.
Músicas e Brasilidades para todos festejarem
Como parte da proposta de fortalecer a cena musical regional, o festival recebeu uma programação diversa, reunindo artistas e coletivos do Litoral Norte.
Passaram pelo palco Thai, com participação de Lua Passarinha; Saíra 7 Cores; Coletivo Vozes do Litoral; Raiane Pires; e Rafael Coelho.
A presença de artistas da região contribuiu para transformar o festival em um espaço de circulação e valorização da produção cultural local, aproximando diferentes linguagens e públicos.
Um encontro que planta o futuro
Ao completar cinco anos, a RAPECCA celebra uma trajetória construída por muitas mãos, muitos saberes e muitos sonhos compartilhados. E o festival foi também um retrato dessa caminhada: um encontro onde agroecologia, pesca, cultura, educação ambiental, infância, acessibilidade e música se entrelaçaram como sementes lançadas em terra fértil.
Porque toda rede que se constrói no presente também planta para o amanhã. A RAPECCA vem cultivando, ao longo desses cinco anos, relações, conhecimentos, afetos e possibilidades.E é desse plantio coletivo que nasce a esperança de um futuro mais justo, sustentável e conectado com o território.
Celebrar cinco anos é olhar para as raízes, reconhecer quem ajudou a semear e, ao mesmo tempo, imaginar os frutos que ainda estão por vir. É entender que o futuro não se espera: se planta, se cuida e se CONSTRÓI COLETIVAMENTE.
A festa termina, mas a semente permanece. E agora é tempo de continuar cuidando dela, para que os próximos anos possam colher tudo aquilo que tantas mãos começaram a plantar.
