A Associação Rosas Negras é uma espaço que acolhe mulheres pretas e periféricas, levando a educação antirracista e auxiliando na educação popular com oficinas, rodas de conversa, atendimento biopsicossocial, jogos interativos, feiras para circulação de renda e ações comunitárias. Dentro das pautas, é perceptível a necessidade de falar sobre o meio ambiente e orientar a comunidade.
Fortalecer os laços comunitários enquanto se debate a sobrevivência frente às crises climáticas. É na intersecção entre o afeto e a luta política que a Associação Rosas Negras atua na comunidade, transformando reuniões locais em espaços de conscientização, nutrição e prevenção contra desastres ambientais.
Uma das iniciativas centrais dessa articulação é o “Caldinho Comunitário”, que no momento ocorre semanalmente, toda segunda-feira, às 19h30. O cardápio já contou com caldinho de feijão, mandioquinha, mandioca e até curau. A própria comunidade se junta para colaborar com os ingredientes e ajudar no preparo.




Fotos tiradas durante os encontros do Caldinho Comunitário. Fotos: Paola Renata
A representante da Associação Rosas Negras, Paola Renata, destaca a origem do projeto: “a ideia do caldinho nasceu de forma comunitária aqui na nossa casa, que é onde a gente atua como Associação Rosas Negras”.
Ela complementa explicando a intenção por trás dos encontros: “com a ideia de aumentar a frequência do que a gente já faz uma vez por mês, que é uma reunião comunitária, só que dessa vez com o caldinho para que a gente possa fortalecer e se nutrir ao mesmo tempo em que a gente conversa sobre os meios de prevenção e preparação para esse evento extremo que é o El Niño, que já está atingindo o Brasil”.
Diálogos e conscientização
A atuação da associação ganha empenho por meio de redes de apoio e parcerias estratégicas. Uma delas é o Café com CRAS, ministrado por Jéssica Toniatti, onde mensalmente são levadas e combinadas pautas com a comunidade, principalmente da Topolândia, centro de São Sebastião (SP), reunindo os moradores para comer e conversar.
No mês de abril, o espaço juntou a liderança feminina Pará Lourdes, da aldeia indígena Guarani Mbya Rio Silveiras e as representantes da Associação Rosas Negras, Paola Renata e Hyena Takanashi, para dialogar sobre racismo ambiental.
A respeito do perigo vivido por essas populações, Paola Renata detalha a realidade local:
“Quase sempre são pessoas que estão à margem de rios, que quando tem uma subida do rio, elas são atingidas, podem perder suas vidas. Que estão nos morros, que são constituídos as grandes favelas, aqui não temos ‘grandes’ favelas, mas temos favelas em São Sebastião”.
Ao pontuar a responsabilidade do poder público, Paola Renata define o conceito do problema: “isso é o racismo ambiental, aonde eles colocam a gente num lugar inferior, onde a gente vai ser atingido. Doa a quem doer, porque eles não estão fazendo nada. Dinheiro tem para fazer melhorias. Tem dinheiro, tem verba, tem disponibilidade, tem o governo, mas eles não gerem esse dinheiro de forma adequada, permitindo que nós sejamos sempre atingidos da mesma maneira, como se não fôssemos ninguém”.

Registro de um dos encontros do Café com CRAS. Foto: Paola Renata
Educação e Juventude na Luta Climática
A dimensão educativa do projeto Caminhos das Águas, idealizado pela professora Shirlei Rodríguez, uma das representantes da Associação Rosas Negras, acontece na escola municipal parceira Cynthia Cliquet Luciano. No projeto, os alunos e os organizadores realizaram estudos sobre os rios locais, discutindo os cuidados necessários e a importância vital da água através de rodas de conversa, jogos interativos e produção audiovisual.
Paralelamente, com o incentivo da campanha nacional “Cidades sem Riscos”, a Associação Rosas Negras criou o jogo de tabuleiro “Prevenção em Ação”, uma continuação do jogo “Missão Ambiental”. A ferramenta foi desenvolvida pelos jovens Hyena Takanashi, Alysson e Lynn. Além de integrantes e acolhidos da associação, os três são membros do Cumbuca, coletivo de jovens educomunicadores nascido a partir da chamada pública Juventude, Educom e Justiça Climática, do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA).

Integrantes da Associação Rosas Negras apresentam o jogo “Prevenção em Ação”. Foto: Paola Renata
O jogo foi feito totalmente com materiais recicláveis para, além de garantir a sustentabilidade, permitir uma fácil replicação em vários contextos regionais. A proposta é ensinar de forma interativa e lúdica os jovens a conhecer, cuidar e se prevenir. A apresentação do jogo para os alunos foi realizada inicialmente na própria Associação Rosas Negras e na escola. Além disso, o projeto também foi levado para a escola Estadual Alcides Galvão a convite do amigo Miguel Nunes, que também é comunicador comunitário do portal Cumbuca e parceiro da iniciativa, apresentando a ferramenta para os estudantes dentro do projeto Pega a Visão do Mangue.
Diante dos fatos, a Associação acredita que o fortalecimento e a união, seja de mentes, projetos ou coletivos, é o que nos ajuda a combater o racismo ambiental. Sem essas lideranças e ideias seria impossível se posicionar até porque, somos uma sociedade colaborativa, precisamos uns dos outros.
